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A CULPA É DO COMEDIANTE?

Eu tenho ouvido essa frase há algum tempo, que o humor no Brasil tá uma merda porque os comediantes são uma merda. Os do standup então, afff… tudo uma merda! E isso realmente me preocupou por algum tempo. Já que eu faço parte da classe, o que eu poderia fazer pra mudar este conceito? Bem, fui ler. 


Falam que o standup brasileiro é uma merda e que o standup americano que é o bom. Concordo, em parte. 


O Standup surgiu nos Estados Unidos lá no comecinho dos anos 1900, quando os espetáculos de vaudeville tinham  os Mestres de Cerimônia que se apresentavam entre um show e outro. Eles usavam seus próprios nomes, faziam piadas que eles mesmos escreviam e se apresentavam de cara limpa. Standup.


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Bob Hope, um dos primeiros caras nos EUA a fazerem sucesso no Vaudeville e como Comediante Standup.

Com o surgimento do rádio eles passaram a ser os apresentadores entre um número musical e outro (o rádio era ao vivo), com o surgimento da TV o mesmo aconteceu e assim este modelo de comédia passou a fazer parte da cultura americana desde o final dos anos 50 com o surgimento dos Clubes de Comédia.


No Brasil o Standup só começou a virar parte da cultura a partir de 2003, com o surgimento do Clube da Comédia Em Pé no Rio de Janeiro e dois meses depois o Clube da Comédia Standup em São Paulo. Ou seja, você quer comparar 66 anos de comediantes Standup nos Estados Unidos com 13 anos de comediantes Standup no Brasil?


Ok, então vamos comparar essas plateias também.


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Paulo Carvalho, Léo Lins, Fábio Porchat, Claudio Torres, Fernando Caruso – Comédia em Pé em 2009.

Eu estou agora em Nova York passando uns dias num albergue, torcendo pra não roubarem os meus rins, escrevendo meu primeiro livro “Tinha Tudo Pra Dar Certo Se Não Fosse Eu” e esperando o dia 07 de Janeiro para assistir a estreia do novo solo de Standup do Jerry Seinfeld.


Pra aproveitar o passeio eu tenho ido em alguns comedy clubs para ver o que está sendo feito de humor por aqui, para aprender mais. Ontem fui em um bem conhecido, o Carolines on Broadway.


O comediante da noite era o Joe Machi, que eu nunca tinha ouvido falar, mas que segundo o release dele: em 2010 ele ganhou como Melhor Comediante Emergente no New York Underground Comedy Festival, logo depois ganhou como Comediante Mais Engraçado no New York Comedy Festival, participou do Boston Comedy Festival, entrou para a Elite Eight do Carolines on Broadway e ficou entre os finalistas da oitava temporada do programa “Last Comic Standig”, um tipo de Prêmio Multishow daqui.


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Bom, fiquei otimista com o currículo do cara. Imaginei um bom show e foi. Porém, a plateia daqui é outra plateia. Eles reagem nas boas e nas más piadas. Eles entendem que o que o comediante está fazendo… é piada. Eu anotei duas boas piadas pesadas que ele contou. Leia e veja o que você acha delas.


“Falam que a parte mais difícil em se tem um bebê é dar banho em um bebê. A namorada do meu amigo teve um abordo durante o banho e com certeza este foi o pior banho de bebê que alguém já deu.”


Eu faria esta piada? Não. Eu ri dela na hora. Ri. A plateia riu? Não. A plateia APLAUDIU enquanto falava “ooohhhh!!!!” e isso foi mais engraçado que a piada em si. A plateia aqui entende como “cara, parabéns, você foi longe nessa!”.


Por mais que desaprovem a piada, eles sabem que é uma piada e riem. Outra.


“Eu não sei porque tem tanto serial killer homem se é bem mais fácil pra uma mulher convencer o cara a ir pro apartamento dela. Pra mim sempre foi muito difícil conseguir levar uma mulher pra minha casa. Talvez o serial killer homem tenha o seu valor”.


Risadas e aplausos.


Mas não pense que a encheção de saco com os comediantes é só no Brasil. Aqui nos Estados Unidos o próprio Jerry Seinfeld (que é conhecido por nunca usar palavrões em seus textos e nunca fazer piadas ofensivas) já disse que o politicamente correto está acabando com o humor e não à tôa um dos maiores publicitários do Brasil, o Wassington Olivetto também declarou que o politicamente correto matou a liberdade criativa.


Seinfeld também falou sobre o patrulhamento dos gays em relação às piadas e ultimamente a atriz e autora Tina Fey, do Saturday Night Live e do 30 Rock foi acusada de racismo e disse que a partir de agora não vai mais explicar piada e pedir desculpas.


Agora imagina só se eu tivesse que explicar cada piada que eu faço para quem se ofende com elas, nesse mundo onde todo mundo se ofende com tudo. Por exemplo, essa minha piada aqui sobre os fogos de artifício no réveillon:


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Primeiro: eu errei a resposta. O certo é 42 e é uma referência ao livro O Guia Do Mochileiro Das Galáxias quando ele fala que 42 é a resposta para a pergunta sobre a vida, o universo e tudo mais.


Segundo: Este símbolo aqui (!) significa ironia. Usem sem moderação.


Fora isso, por algum motivo que eu não sei qual, as pessoas projetam a sua vida em cima de uma piada e quando o comediante faz piada com algum fato que remete a algo da sua vida, você fica mal. Isso não faz sentido!


É claro que eu não vou soltar fogos na casa de ninguém, eu nem compro fogos!


Funciona mais ou menos assim: se tem um assunto em evidência, é claro que eu vou fazer piada com ele. Se todo mundo está de um lado, é claro que eu estarei do outro. O humor é opositor!


Com tanta gente grande (e eu) achando uma merda este patrulhamento e essa censura que só é ruim pra vocês mesmos, que deixam de desfrutar piadas muito além dos limites do comum, vocês ainda acham que a culpa é do comediante?

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