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Como o título do Leicester estendeu a vida de um torcedor com câncer em estado terminal

Como o título do Leicester estendeu a vida de um torcedor com câncer em estado terminal

Via ESPN


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Março de 2015. A queda do Leicester City para a segunda divisão do Campeonato Inglês parecia algo iminente. Restavam oito rodadas para o fim, e o clube estava na lanterna, sete pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento. Mais do que isso, os Foxes vinham de oito jogos sem vencer (seis derrotas e dois empates).


A 16.318 km da pequena cidade inglesa, alguém não lamentava apenas o fim da passagem de seu time de coração na elite. Tony Skeffington lamentava o fim de sua vida.


Naquele período, o australiano de Adelaide e torcedor de longa data do Leicester foi diagnosticado com um câncer no apêndice em estágio avançado. Os médicos lhe deram quatro semanas de vida.


Foi então que as duas histórias se cruzaram. O Leicester começou sua recuperação no primeiro jogo de abril com uma vitória sobre o West Ham por 2 a 1. O gol da vitória foi marcado aos 41 minutos do segundo tempo por Andy King, o jogador favorito de Tony.


Depois veio o West Bromwich. Nova vitória do Leicester. Próximo desafio: Swansea. Mais três pontos na conta dos Foxes. Na sequência, Burnley fora de casa. Adivinha? Triunfo dos visitantes.


Nas oito rodadas finais, foram sete vitórias e um empate (a única derrota naquela sequência foi em um jogo atrasado com o Chelsea, que foi o campeão da temporada).


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O milagre em Leicester motivou Tony a construir seu próprio milagre na Austrália. O Leicester havia assegurado sua permanência na primeira divisão, as quatro semanas já tinham passado, e o torcedor continuava vivo.


“Ele andava dizendo: ‘Eu não sinto que estou morrendo, isso é muito estranho”, contou Donna, esposa de Tony, à emissora australiana ABC. “Eles trabalharam juntos de forma congruente. Eles venciam a cada semana, e o Tony vencia outra semana.”


A história se espalhou em janeiro, quando ex-policial a contou em um fórum de torcedores do Leicester. Logo, ele estampava sites e jornais britânicos e passou a ganhar apoio de diversas pessoas em sua luta pessoal. Quando o próprio clube soube, enviou uma flâmula assinada pelos jogadores ao seu torcedor australiano, que ganhou 18 mil libras após ter apostado dez que o clube terminaria no topo da classificação em fevereiro.


A popularização da história de Tony coincidiu com a popularização do próprio clube inglês. Depois da luta contra a queda, o time de Claudio Ranieri iniciou de forma fantástica a temporada e se estabeleceu na liderança desde a 22ª rodada.



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“O Leicester City está o mantendo vivo”, declarou Donna em março.


Os milagres caminhavam de mãos dadas. Restava apenas o último desejo: ir ao King Power Stadium ver um jogo do Leicester e, quem sabe, encontrar os jogadores.


“Financeiramente, estamos OK. Não quero que as pessoas pensem que eu sou uma espécie de caso de caridade e estou muito agradecido pelo calor da resposta. Mas, se uma chance vier, seria a oportunidade de uma vida”, disse Tony ao jornal Leicester Mercury em janeiro.


“Fomos ao Camboja e a várias partes da Austrália nos últimos meses, então eu acho que a segurança não seria um grande problema. Meu médico disse que, se eu estiver me sentindo como estou agora, em uma condição física razoável, ‘vá lá’. Estou ainda mais determinado agora, depois de ter acordado às 6h30 para assistir à vitória deles contra o Tottenham.”


Porém, pouco depois, sua condição ficou pior. Por um mês e meio, sua rotina foi sua casa e o hospital. Na conta de Tony no Facebook, em meio a check-ins no hospital e fotos com a camisa do Leicester, ele comemorou em uma postagem de 14 de abril a primeira saída com amigos desde o fim de fevereiro.


Com o sonho frustrado de ir ver um jogo in loco de seu time do coração, Tony agora contava os dias para ver o título inédito.


“Eu quero ver o final. Estou tentando me manter vivo para ver o fim da temporada. Eu preciso saber. Eu odiaria ir sem saber. Então esse é o meu objetivo”, afirmou à ABC.






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